Musica e poesia

Poemas sobre a musica, hoje e sempre.

domingo, 29 de novembro de 2009



(márcio pombo)
Contemplo...curvas da carne fresca que se arrepia ao toque de dedos leves que acariciam a aura quente e insensata do desejo turvas visões de emoções e sensações ainda enclausuradas em platônicos hormônios harmoniosos como um colossal coro de milhões de espermatovozes toco o teu beijo com os lábios que pelo ensejo de apenas UM gemido teu descem sábios, à procura de novos sons e em onomatopéica exploração oral deslizam por cada alto e baixo relevos buscando a prova cabal do teu úmido descontrole quase tímido, inspiro o teu perfume alimentando meus pulmões que, inebriados por seu maior prazer,expiram meu hálito quente em teu sexo tenso,inspiradora visão da relatividade do tempo que agora pára! contemplo...o caminho estreito, entre pêlos satisfeito que pelo jeito que derrama sua seiva sei que clama por desrespeitosa invasão invado então, entorpecido pelo aroma dos teus fluídos,o caminho mágico que cruza a fronteira entre o belo e o trágico,o tesão e a razão, o querer e o sofrer...oh, descontrolado prazer, leva-me tudo!tira-me o resto de pudor e bom sensoe deixa em mim apenas o intenso intento de chegar mais fundofora de mim, quero rasgar-te ao meio e tocar-te a alma em pretensiosas e ferozes estocadas que ao menos fazem com q meus ouvidos sejam tocados por seus gritos minha pulsação é cada vez mais viva a pressão aumenta e você VEM aos espasmos anunciar o orgasmo que me impele cada vez mais ao destino óbvio daquele que se entrega somos agora corpos em luta desesperada e derradeira te trato por puta, a mais baixa rameira e chego afinal ao juízo final, apoteose reativa da mais bela pop-arte contemplo...contemplo...
Postado por márcio pombo às 14:30

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Por Entre os Sons da Música

Por entre os sons da música, ao ouvido como a uma porta que ficou entreaberta o que se me revela em ter sentido é o que por essa música encoberta acena em vão do outro lado dela e eu sinto como a voz que respondesse ao que em mim não chamou nem está nela, porque é só o desejar que aí batesse.
Autor: Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
Data: 2008/09/11 00:01
Fuga

O músico procura Fixar em cada verso O cântico disperso Na luz, na água e no vento. Porém, luz, vento e água Variam riso e mágoa, De momento a momento. E em vão a área dos dedos Se eleva! Não traduz Os súbitos segredos Escondidos no vento, Nas águas e na luz...

Autor: Pedro Homem de Mello, in "Segredo"
Data: 2008/10/20 00:04

Música

A doce, iriada melodia, roxa sombra na tarde escarlate, chorosa, ouço-a; bate e verte quentura na minha alma fria. Quantos anos galgaram lépidos, furtivos, maldosos, sobre a minha cabeça! E não há tempo que, húmido, arrefeça a toada suave de tons tépidos... Remédio para as minhas feridas, para os nervos pacífico brometo, quando eu seguir no caixão preto, entre velas e ladainhas, meus ouvidos tapados a algodão hão-de ouvi-la, tal como nessa tarde, tão discreta, suave e sem alarde, sobrepondo-se ao cantochão...
Autor: Saúl Dias, in "Tanto"
Data: 2008/10/13 02:01