
Música
A doce, iriada melodia, roxa sombra na tarde escarlate, chorosa, ouço-a; bate e verte quentura na minha alma fria. Quantos anos galgaram lépidos, furtivos, maldosos, sobre a minha cabeça! E não há tempo que, húmido, arrefeça a toada suave de tons tépidos... Remédio para as minhas feridas, para os nervos pacífico brometo, quando eu seguir no caixão preto, entre velas e ladainhas, meus ouvidos tapados a algodão hão-de ouvi-la, tal como nessa tarde, tão discreta, suave e sem alarde, sobrepondo-se ao cantochão...
Autor: Saúl Dias, in "Tanto"
Data: 2008/10/13 02:01
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